20 de julho de 2017

Apesar das ruínas




Apesar das ruínas e da morte, 
Onde sempre acabou cada ilusão, 
A força dos meus sonhos é tão forte, 
Que de tudo renasce a exaltação 
E nunca as minhas mãos ficam vazias. 


Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Antologia Poética' 

5 de maio de 2016

Se fôssemos os nossos sonhos e não vivêssemos tão frustrados com : eu gostava...; e se...; eu faço depois...; agora não...; ... talvez... talvez tudo fosse diferente.

O problema está no talvez, talvez implica dúvida, medo de falhar, receio de não alcançar...
 Se não tentarmos chegamos a lado algum?
Eu vivi apenas 9 anos com o meu pai mas ele ensinou-me algo que nunca esquecerei: é no agora que vivemos. Foi assim que ele viveu e foi assim que há 14 anos atrás num milésimo de segundo estava comigo e no segundo seguinte já não respirava.
Quando queremos certezas, sonhos, planos, temos que agarrá-los agora, neste momento, neste pensamento, neste milésimo de segundo que pode mudar tudo, e lutar, lutar sem desistir, hoje é o primeiro do dia do resto da nossa vida, quem sabe, poderá ser o último, o que queremos para nós?


15 de fevereiro de 2013




Pequena elegia de Setembro 

Não sei como vieste, 
mas deve haver um caminho 
para regressar da morte. 
Estás sentada no jardim, 
as mãos no regaço cheias de doçura, 
os olhos pousados nas últimas rosas 
dos grandes e calmos dias de setembro. 

Que música escutas tão atentamente 
que não dás por mim? 
Que bosque, ou rio, ou mar? 
Ou é dentro de ti 
que tudo canta ainda? 

Queria falar contigo, 
dizer-te apenas que estou aqui, 
mas tenho medo, 
medo que toda a música cesse 
e tu não possas mais olhar as rosas. 
Medo de quebrar o fio 
com que teces os dias sem memória. 

Com que palavras 
ou beijos ou lágrimas 
se acordam os mortos sem os ferir, 
sem os trazer a esta espuma negra 
onde corpos e corpos se repetem, 
parcimoniosamente, no meio de sombras? 

Deixa-te estar assim, 
ó cheia de doçura, 
sentada, olhando as rosas, 
e tão alheia 
que nem dás por mim. 


Eugénio de Andrade

25 de janeiro de 2013


É no meio do sofrimento que a droga aparece.
A destruição de tudo aquilo em que acreditamos.
Talvez haja na minha vida um propósito superior, algo que até agora, permanece para lá do meu horizonte de percepção.
Já vi de tudo, já fiz muito do que vi e aquilo que não fiz, sou eu.
Não há em mim nada que não seja a vida.
Viver é o que queremos ver no Mundo.
De todas as coisas que vivi existe uma gratidão profunda, transcendente a esta realidade.
Tudo me completa, tudo tem uma beleza interior, difícil de (vi)ver. Querer.

                                                                                                 21/01/2013, 23h

29 de outubro de 2012

Do outro lado...

Aqui nada se passa tudo se ama, tudo se quer, tudo se transforma, tudo és tu e tudo sou eu, somos nós, neste nosso universo colorido.

How high the moon (Ella e C. Parker)

20 de outubro de 2012



O inexplicável assola-me de uma forma incómoda e invasiva.

4 de outubro de 2012

19 de setembro de 2012



Arrepiante. Uma das minhas sinfonias preferidas.

Taken from "HOLOCAUST - A Music Memorial Film from Auschwitz". For the first time since its liberation, permission was granted for music to be
heard in Auschwitz and a number of leading musicians were brought there to perform music for the film.

For many prisoners in Auschwitz, music played a unique and precious role. Several orchestras and bands were set up, made up entirely of inmates.

Amidst all the horrors, music was a part of daily life: marches were played at the camp gates as labour gangs were led out to work each morning and musicians were called on at all times of the day and night to perform for the SS and Nazi officers.

Now, in a unique tribute to the millions who died in the Nazi genocide and for the first time in its history, the museum at Auschwitz-Birkenau has allowed a number of leading musicians from around the world to come to the camps and perform in a 90-minute film shot entirely on location.

A sequence of carefully chosen music, all connected in some way with the Holocaust, will be interwoven with the powerful accounts of three survivors from the men's and women's orchestras.

The list of world-class musicians taking part in the film includes the acclaimed Russian violinist Maxim Vengerov, the American pianist Emanuel Ax and a number of international singers, including sopranos Isabel Bayrakdarian and Kate Royal, mezzo-soprano Tove Dahlberg and bass-baritone Gerald Finlay.

The Sinfonietta Krakowia and Camerata Silesia will be conducted by John Axelrod.

The film includes music from the Jewish liturgy as well as works by Chopin, Górecki, Messiaen, Viktor Ullmann and Bach.

16 de setembro de 2012



Perdi-me nos teus caracóis...

25 de junho de 2012



My friend, you left me in the end
I can´t believe I´m writing a song
where friend rhymes with end
But today I must cave in
I have trouble forgetting those beautiful eyes
As it is
I must fill your space with lies

Friend, you left me in the end
I guess I knew it all along
I guess I expected this song
And it is as it appeared
Like a fist in my stomach and
Swallowing tears
Your song turned out a sad one
Just as I feared


É mesmo triste, to let yourself go is the only way of being.

12 de junho de 2012


Let's dance little stranger
Show me secret sins
Love can be like bondage
Seduce me once again

25 de maio de 2012



Now baby come on 
Don't claim that love you never let me feel 
I shoulda known 
'cause you brought nothin' real 
C'mon be a man about it you won't die 
I ain't got no more tears to cry and I can't take this no more 
You now I gotta let you go and you know 


JC: Jaqueline quem é que perde?

JC: Ele...

Life taught me that if you feel there's no reason to be happy, you just need to grab the biggest smile you can do and keep it.


If you don't believe, it will never happen.



24 de maio de 2012

20 de maio de 2012





"But your lovely,
 with your smile so warm..."

18 de maio de 2012




"And high up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try you'll never know
Just what you're worth"






15 de maio de 2012

 «Quando se vive muito intensamente a música, a música que vive cá dentro, que vem cá de dentro a fervilhar, o grande segredo para a sua transmissão e partilha é o acto contido sobre o que temos e encontramos no fundo de nós».




"Está com um ar tranquilo e feliz. De onde vem a sua felicidade? 
De muitas coisas... Dos projectos muito entusiasmantes que tenho pela frente, mas acima de tudo por ter encontrado o equilíbrio entre o trabalho e a coisa mais importante na vida, que é a família.

Fala do amor? 
Sim, naturalmente do amor e da partilha. Mas penso mais do que falo. Tem sido muito importante para mim a paternidade, olhar para as minhas filhas e perceber muito mais coisas da vida. Elas ajudam-me a relativizar outras que me preocupavam no passado.

O que é que mais o fascina na paternidade? 
O que me fascina realmente é tudo o que já foi escrito de bom, de positivo e de construtivo, mas há um aspecto que eu gosto muito, que é rever-me naqueles seres tão fascinantes e que me podem ensinar tanto. Através das minhas filhas consigo, pela primeira vez na minha vida, ter tempo para pensar um bocado nas memórias que tenho do passado e que muitas vezes esqueci. A memória dos tempos familiares e das coisas que me aconteceram na infância. É bom chegar a um ponto da nossa vida em que percebemos que o trabalho é interessante mas existem coisas muito mais importantes.

O trabalho não nos completa como seres humanos? 
De maneira nenhuma.

Trabalha muito? 
Sim, mas seria muito infeliz se me dedicasse só à música ou ao trabalho. Chega a ser angustiante, porque a música é uma forma de representação de qualquer coisa que está cá dentro. Do imaginário abstracto ou de memórias que não consigo exprimir por palavras. Isto parece-me evidente para qualquer pessoa que se dedique à composição.

Fala de memórias e dessa massa abstracta que são os sentimentos e as emoções? 
Exactamente. O que acontece é que este processo de desenvolvimento musical relativo à nossa vida pode ser muito angustiante e, sobretudo, pode fazer de nós seres desumanos. Há uma expressão muito engraçada que é o "Bernardo eremita" que é um ser que se esconde numa concha e sobrevive sozinho.

Alguma vez se sentiu "Bernardo eremita"? 
Sim, na altura da minha aprendizagem. Hoje estou cada vez mais convencido de que tinha interesses muito especiais relativamente às pessoas com quem me dava e sei que vivi com uma obsessão durante anos: aprender não só a linguagem musical mas, sobretudo, a linguagem do jazz que é tão difícil em Portugal. Conseguir ter acesso à informação naquela altura, nos princípios dos anos 80, não foi nada fácil.

Quantos anos tinha? 
Comecei, realmente, com 14 anos.

Fala em obsessão e gostava que explicasse melhor porque usa essa expressão.
Pois, é um bocado forte mas às vezes utilizo termos que podem parecer excessivos. Era uma obsessão porque eu vivia com as imagens daqueles sons diariamente. Não só ao piano, sozinho, como na rua a ir para o liceu. Vivia diariamente com a ideia de que um dia ia conseguir tocar aquela música.

Que música era essa? Era só o jazz que já conhecia ou era a música que tinha dentro de si? 
Acho que eram as duas mas, nessa altura, eu não tinha capacidade para pensar muito bem naquilo que queria. Até cheguei a uma fase em que me apetecia desistir da música. Foi num período em que estagnei um bocado. Era preciso dar um salto qualquer.

Quantos anos de estudo musical já tinha? 
Cinco anos, mais ou menos. A minha forma de estudar foi muito pouco ortodoxa porque tive sempre professores particulares.

Foi uma aposta do seu pai ou da sua mãe? 
Foi uma aposta que eu decidi enfrentar. A música sempre fez parte da vida daquela casa, dos meus irmãos e, sobretudo, do meu pai. Ele sempre tentou transmitirnos o gosto pela música e pela sua compreensão. Lembro-me de passar muitas horas sentado ao lado do meu pai com ele a explicar-me a música e o contexto de algumas óperas enquanto eu via e seguia partituras muito antigas que tinha lá em casa.

E isso era feito em esforço? 
Era fascinante e até era iniciativa minha. Depois, naturalmente, vieram os ensinamentos do meu pai. Tudo isso faz parte das minhas memórias de família.Quem é que percebeu primeiro que tinha um grande talento? 
Ninguém...

Até hoje ninguém? [risos] 
Era difícil, sabe?! Levou muito tempo a todas as pessoas da minha família, pais e irmãos, a perceber que a música já fazia parte da minha vida. 

Quantos são ao todo? 
Somos oito irmãos. O meus pais têm 25 netos. Somos uma família grande.

Todos ligados à música? 
Não, só o meu irmão Francisco, também em piano. Os meus outros irmãos têm profi ssões sérias [risos].

O seu pai tocava? 
Não tocava mas sabia e sabe muito de música.

Tem bom ouvido também? 
Muito bom ouvido e uma memória invejável das coisas, dos lugares e de textos que leu há mais de 50 anos. Tudo isso se nota na forma como ele nos transmite as coisas e os conhecimentos.

Voltando à questão que ficou por responder, quem percebeu primeiro que tinha talento? 
Não sei, realmente não sei, porque aquela música era uma novidade naquela casa. O jazz era uma música pouco ouvida e realmente eu sempre quis apostar e lancei-me mesmo para a frente, quase até cair! 

Ainda hoje o jazz não é uma música fácil para os portugueses, pois não? 
É difícil em qualquer parte. É preciso tempo para a compreender. E, depois, também acho que a música hoje em dia aparece diariamente nas nossas vidas de uma forma inexplicavelmente banal.

Ou seja?
Está em toda a parte. Façamos nós o que fizermos teremos sempre música a acompanhar... qualquer coisa! Música na rua, música nas lojas, nos elevadores, nos aeroportos, em viagem. Há música a mais para dar, emprestar ou vender.

E essa banalização perturba ou recria a própria música? 
Eu acho que é muito perturbante, especialmente para um músico. Até na forma como a música é ouvida, muitas vezes aos altos berros, transforma-a facilmente em poluição sonora.

Distorce o valor da própria música? 
Claro, é como tudo o que se banaliza em excesso. Hoje em dia também se escolheu o sexo, por exemplo, como forma fácil de chegar às pessoas. O sexo ligado ao amor, à partilha e à entrega entre duas pessoas tem tanto de grandioso como pode ter de banal, pela forma simplista como hoje nos é exposto.

É interessante este salto que deu agora da música, que é sagrada para si, para o sexo e para a relação a dois. A música e o amor com entrega são o que há de mais sagrado para si? 
Completamente. Fiz este paralelismo porque são coisas sagradas mas muito banalizadas. Hoje em dia escolheu-se banalizar o sexo. O sexo já não é tabu e fala-se dele como se fala de uma refeição de fast food.

E isso perturba-o? 
Muito, porque são elementos na nossa vida que são especiais. São cantinhos muito especiais da nossa vida, que devemos preservar. O mais importante para mim é o equilíbrio das coisas.

Consegue ter um discurso afectivo mas não moralizante.
Ainda bem. As pessoas fazem da vida o que quiserem, vêem o que quiserem e seguem o que entenderem.

Mas você preferiu fazer do amor e do sexo um cantinho sagrado da sua intimidade. 
Sim, completamente. É muito difícil, senão impossível, conceberme numa situação de sexo sem amor.

Diz isso também por pertencer a uma família católica? 
Não, de maneira nenhuma. Digoo porque é mesmo o que penso e sinto. Tive uma educação católica, que respeito, mas tenho a minha própria fé e não sou um praticante exemplar. Faço-o à minha maneira.

É mais pela ética do que pela religião, digamos assim? 
Sim. Os princípios éticos acompanham a minha vida sem que eu tenha de pensar muito sobre eles ou identificar a religião à qual pertencem. São princípios positivos em que acredito.Mas quem o ouve e quem o conhece sente que há uma mística na sua música e na sua atitude na vida. Qualquer coisa de profundamente espiritual. Você é uma pessoa espiritual?
Acho que sou uma pessoa comum e tento procurar cada vez mais o essencial na música que faço. É curioso pensar que muitas vezes as pessoas confundem a espiritualidade com a tristeza. Um tema lento, por exemplo, não tem que ser necessariamente triste. Eu não acredito em tristeza na minha música. Há quem diga que o Ascent ou o Alice são músicas profundamente tristes mas eu retirava a palavra triste.

E classificaria como? 
Acho que é, de facto, uma procura interior minha, uma procura dos sons e de uma representação de qualquer coisa que tenha a ver com a minha vida, com o meu interior e isso, no meu entender, afasta-se muito do sentido de tristeza.

É uma coisa intensa e verdadeira, mas não necessariamente triste? 
Intensa é, verdadeira não sei, nem posso saber com certezas... O que acontece é que existem várias formas de energia que têm muito a ver com esse lado espiritual que mencionou há bocado, mas para mim não há nada mais precioso do que o silêncio de uma meditação. Olharmos para dentro e pensarmos em quem somos e o que estamos aqui a fazer. Isso é muito importante. Eu considero muitas vezes que a música que faço é inútil para os outros, sinto-me muito pequeno no universo artístico, apesar de o viver intensamente todos os dias.

Sabe que tem feito muito pelo jazz, pois as pessoas identificam o jazz e o piano consigo. De alguma forma você arredondou as arestas que o jazz tinha nos nossos ouvidos. Hoje em dia todos o ouvimos com imenso prazer, mesmo quando toca aquilo de que nem todos gostamos.
Eu tenho consciência de que existem pessoas que seguem a minha música e isso é-me muito gratificante. Mas, realmente, isto é uma questão difícil de explicar porque, como pessoa e como músico, sinto-me mesmo muito pequeno. Quero dizer, muitas vezes tenho dificuldade em acreditar que a minha música possa chegar realmente às pessoas e é por isso que falo da inutilidade da música que componho e interpreto, embora isso não queira dizer que não haja pessoas que não se identifiquem com a minha música.

Só se sente pequeno quem é verdadeiramente grande. É uma coisa que vem nos livros.
Pois, o que hei-de dizer sobre isso? Nada, mas tem tido muitas provas de reconhecimento do seu talento. De cada vez que dá um concerto e o aplaudem tem de sentir isto... Digamos que não sou a pessoa indicada para falar sobre isso... 

Até uma certa altura a sua música era uma espécie de sequência, uma evolução dentro de uma linha muito definida, mas agora com estes dois últimos discos, e especialmente com o Alice, que é uma musica feita para um filme denso e triste, a sua música tomou outros caminhos?
Neste momento, a música que componho está muito ligada ao cinema, à imagem e à fotografia, que são as artes visuais que mais me acompanham. Interessa-me imenso tentar compreender o poder de sedução das imagens. Gosto também da ideia de histórias contadas em três partes e existe, de facto, uma técnica e uma evolução muito interessante na história do cinema. Há um aspecto decisivo que é a montagem moderna de um filme. As histórias contadas através de pequenos fragmentos que se vão juntando. É interessante transpor estas ideias para a música.

O que faz com que a música seja um bocadinho mais avulsa, também? 
O meu interesse na música é tentar contar uma história, tanto na comunicação com os músicos como com o público, porque é uma comunicação totalmente feita no momento, apesar de ensaiarmos os temas principais. O improviso é qualquer coisa de tão espontâneo que talvez seja um dos grandes exemplos de humanidade na música. Quero dizer, é uma sensação de desafio constante em que todos nós estamos a tentar pôr cá para fora as nossas coisas do passado e do presente, e isso é muito enriquecedor e sempre diferente.Como foi o processo de criação da música para o filme Alice?
O Alice foi muito especial. Tive um contacto muito forte com o realizador Marco Martins. Fui à procura das notas do tema e das entradas de música na presença do Marco e foi a primeira vez que isso aconteceu ao longo das dez bandas sonoras que compus até hoje.

O facto de Alice ser um filme tão intenso, tão duro, que conta a história de uma filha que desaparece e nunca mais aparece, que ninguém sabe se está viva, se está morta, tocou-o muito? 
E de que maneira! Foi um processo muito doloroso, aliás como escrevi no texto para o CD. Foi muito marcante e tive de viver com aquelas imagens durante muitas semanas, enquanto procurava as notas do tema principal.

Chorou?
Sim, isso chegou a acontecer algumas vezes. E chorava pela história, pelo esforço criativo, ou chorava quando olhava para a sua fi lha? Chorava quando eu próprio começava a meditar com a música, quando conseguia estar realmente sozinho com a música e, no fundo, com o sentido real deste filme. Tudo aquilo é uma dor muito poderosa e espero nunca passar por isso, pois é inimaginável para uma pessoa que tem filhos a ideia da perda ou da morte de um filho. Pior do que a certeza da morte é a incerteza do desaparecimento... Penso que é preciso ter muita fé e muita força para lidar tanto com o desaparecimento como com a morte. No caso de Alice, tentei encontrar um equilíbrio entre a música que, de alguma forma, mostrasse essa angústia.
Há partes muito angustiantes naquela banda sonora e a inserção de alguns sons violentos da cidade pareceu-me apropriada.

É como uma coisa que grita no meio da música? 
Sem dúvida. Lá longe, aparece a nota de um clarinete como se fosse a voz da Alice, sempre presente mesmo estando desaparecida. O que tentei fazer foi encontrar o equilíbrio entre a angústia de um pai, o desespero de uma mãe, a procura e a esperança. Foi isso que me deu muita força para escrever aquela banda sonora. Agora estou a trabalhar muito nela porque vou fazer o Alice num espectáculo ao vivo no Teatro Maria Matos, no dia 6 de Abril. No dia 31 de Março é o Ascent, no São Luiz.

Ao longo destes anos todos o que é que aprendeu sobre si próprio através da música?
Essa pergunta é muito difícil. Acho que aprendi que existe em mim um lado egocêntrico muito forte. Quando fazemos música que tentamos que seja, não totalmente mas de alguma forma, verdadeira, isso faz-nos centrar em nós próprios.

Fala de música com verdade e isso remete para a lendária questão de saber o que é a verdade?
Isso será sempre uma questão filosófica difícil de definir e compreender. Aprendi que a contenção é a palavra-chave nesta fase da minha vida. Já senti a música como um divertimento ou uma distracção para as pessoas mas, neste momento, a coisa mudou totalmente de figura.

Como é que a define agora?
Exactamente como uma necessidade emocional muito forte de transmitir coisas que tenho cá dentro. Coisas que nunca conseguirei expressar por palavras. É difícil explicar, sabe?! Percebe-se o que quer dizer. Muitas vezes sinto a música como se de um desabafo se tratasse.

Existe fracasso e dor nesse desabafo?
Existe tudo. Tento assumir permanentemente o erro e a indecisão, a dúvida constante. Procuro fazer isso pois também faz com que a minha visão das coisas possa evoluir. Nesse sentido, o conflito interior é e será sempre essencial."

Bernardo Sassetti




Tudo aquilo que nos é especial vive
para sempre em nós.
O Bernardo vai viver para sempre em mim.

11 de maio de 2012

3 de maio de 2012

25 de abril de 2012


Diálogos de Dentro

Amanhece em mim. Há tantos pensamentos que surgem durante a madrugada. Deambulação entre mágoa e amor. É doutro tempo esta consciência sofrida que me leva a pensar. Pouco a pouco distancio-me da profundidade da dor. Existe um desencanto latente a todo este crescer. Reconheço-me apenas numa escala de cinzentos onde as incertezas se confundem com a realidade. Ser livre é o maior paradoxo, neutro de objectivos. Já nada se apoia na Natureza, somos escravos da economia do Ser (livre). Há uma tentativa constante pela procura da felicidade a par de uma tristeza profunda reforçada a cada nova desilusão. O passado mistura-se com o presente na vontade de um futuro ideal tão longínquo como a linha do horizonte que nos separa da morte. Não há nada a perder. 

5:00 24/4/12


* * *


Que força é esta que brota em sorrisos no mais profundo sofrimento da inocência que é acreditar? 
É tão especial tão única que me parece impossível esta energia, esta vontade de viver superior a todo o mal. É tão grande esta esperança que me acompanha desde sempre… Que força é esta?


00:00 25 de Abril de 2012


19 de abril de 2012




"There is a house built out of stone
Wooden floors, walls and window sills
Tables and chairs worn by all of the dust
This is a place where I don't feel alone
This is a place where I feel at home

Out in the garden where we planted the seeds
There is a tree that's old as me
Branches were sewn by the color of green
Ground had arose and passed its knees

By the cracks of the skin I climbed to the top
I climbed the tree to see the world
When the gusts came around to blow me down
I held on as tightly as you held onto me
I held on as tightly as you held onto me

And I built a home
For you
For me

Until it disappeared
From me
From you

And now, it's time to leave and turn to dust"



Um ano e meio meu amor :)


É muito bom viver em ti.
Amo-te.

14 de abril de 2012




Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.




...



Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.



Vinicius de Moraes